Maquete de crochê do Museu do Ipiranga


Quando fiz faculdade de moda um dos exercícios da aula de estilo era fazer maquetes de tecido. As maquetes eram estudos de novos materiais para uso em vestuário ou decoração e poderiam ser feitas com qualquer material! Amava!


Cheguei a fazer maquetes desfiando juta e acrescentando outros fios na trama, folhas secas de árvores batidas na escova para ficarem só os veios e tudo que encontrava pelas calçadas poderiam ser um novo tesouro para minhas maquetes!



Uma vez, fotografei bem de pertinho diversas texturas como vidros de janelas, TV, madeiras entre diversos objetos e essas fotos macro, dariam muitos padrões lindos para novos tecidos, acredito que seria o início do design de superfície na moda.


E para que servem as maquetes? Quando estudamos processo criativo, precisamos criar novas conexões em nossas mentes, ver formas e composições diferentes e quanto mais inusitadas melhor!



Ao fazer seu book (caixa, painel semântico ou ambiência) se aprendeu a "olhar além" nas minhas aulas sobre criatividade, descobrirá o tema para sua próxima coleção e verá que surgirão diversas composições, exemplo:


Quando recebi essa foto com essa vista linda do museu do Ipiranga, logo me chamou a atenção a tela na janela com o museu ao fundo.

Essa é uma forma mais abstrata de interpretação para fazer uma maquete, mas veja como minha mente uniu a cor do museu com a tela e interpretei como um motivo em crochê.



Receita a seguir, lembrando que foi apenas um estudo e por isso é uma maquete!

Museu
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Entende como é bacana fazer esse exercício? É provocar sua mente a criar outras formas e composições e ainda, pensar em harmonias de cores!


Não sou a criadora desse método, aprendi na faculdade com meu professor de estilo, Carlos Mauro Fonseca Rosas que por sua vez, compartilhava esses estudos com Marie Rucki, diretora do Studio Berço em Paris.


No artigo da colega Leilane Rigatto, ela cita uma entrevista comigo na época de seu mestrado.


Se quer entender mais sobre o universo da moda e os pioneiros nessa área aqui no Brasil, vale muito a pena ler o artigo! Texto na íntegra a seguir!


Leilane Rigatto
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Sabe quando digo que existem coisas que não sabemos que existem?

Quando vejo pessoas no artesanato falando tanto sobre a impossibilidade da criação, penso em todos os 33 anos que estudo e aplico o assunto e vejo como essas pessoas ignoram completamente a existência desse conhecimento.


Existe método, aprendi e ensino desde 1993, um ano após ter me formado em moda e assumido a assistência na disciplina de estilo ao lado do meu grande mestre, Carlos Mauro Fonseca Rosas.

São tantos anos de estudo, leitura, desfiles, ideias, aulas que agora pensando nisso tudo, parece que foram várias vidas.


Por isso, quando ouço pessoas que dizem que podemos copiar à vontade qualquer peça de moda ou de artesanato, afirmando ser impossível ter ideias ou pessoas criativas em nosso País, só consigo vê-las como crianças tentando roubar doces.

Mais uma vez peço para respeitarem os profissionais de cada área de atuação.

Se você tem formação e uma profissão de acordo com o que estudou, ficaria confortável se alguém disesse que sabe mais do que você por ter lido alguns textos sobre o assunto? E não importa se você salva vidas em um hospital ou salva vidas ensinando crochê, ambos os casos são importantes para o bem da humanidade.

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